Cena-poema

julho 25, 2010

Foto: Thiago Sabino

Crítica de Beatriz, da Cia. Instrumento de Ver (DF)

Por Sérgio Maggio

A acrobata Beatrice Martins faz do trapézio baixo de um ponto, técnica circense que domina com perfeição, o salto para extrapolar a virtuose e se alçar no campo subjetivo da arte. No palco, ela risca movimentos que criam células corporais e rítmicas como a de um teatro-dança, explorando diversas qualidades do corpo, como a dicotomia leveza x
peso. Constrói uma potente coreografia transformando o corpo esguio e atento de uma atleta em massa disforme, que  se molda à medida que emergem sentimentos como solidão, angústia, saudade, base de sua pesquisa anunciada  previamente para a criação da cena Beatriz.

Beatrice Martins transpõe o âmbito da canção inspiradora às saudades do país natal, ao desolamento dos imigrantes e  aos sonhos da terra estrangeira. Tudo isso passa pelo seu corpo que voa e salta ao chão do palco, numa cena-poema,  com trilha sonora que inteligentemente não tangecia a matriz criativa (a obra-prima Beatriz, canção de Chico Buarque  e Edu Lobo para a trilha original de O grande crco místico, espetáculo do Balé Teatro Guaíra).

Responsável por um dos  momentos mais lúdicos do Festival Dulcina de Cenas Curtas, Beatriz ainda abre as portas para  que experiências híbridas em dança-teatro-circo-vídeo possam visitar o palco do Teatro Dulcina de Moraes nas  próximas edições.

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